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Block apresenta Dessa, IA de voz hiper-realista que acende alerta sobre golpes

Block apresenta Dessa, IA de voz hiper-realista que acende alerta sobre golpes

A Block revelou a Dessa, modelo de voz treinado só em fala humana, capaz de rodar localmente e despertar fascínio — e temor de fraudes.

Ilustração: Yaroslav Shuraev (Pexels)

A Block, empresa de pagamentos liderada por Jack Dorsey, apresentou neste sábado (24/10/2026) a Dessa, um modelo de inteligência artificial (IA) de voz que conversa de forma notavelmente humana. O anúncio, relatado pela CoinDesk, dividiu reações entre fascínio pela naturalidade do áudio e alerta de que a tecnologia pode facilitar golpes telefônicos.

Diferente de sistemas que transformam fala em texto antes de responder, a Dessa processa áudio diretamente, foi treinada só em voz humana e é compacta o bastante para rodar localmente em um MacBook Pro com chip M4 Max ou superior.

O que aconteceu

Segundo a CoinDesk, a companhia mostrou demonstrações em que a Dessa soa “remarkavelmente humana”, com emoção, nuance, pausas e cadência natural — avaliação reforçada pelo próprio Dorsey no X, ao escrever que conversar com o modelo “parece falar com uma pessoa”. Em um exemplo, a IA ri no meio da frase; em outro, reage a uma surpresa com o que soa como emoção genuína. A Block afirma que as conversas foram gravadas ao vivo, sem ninguém dirigindo as respostas do modelo.

A Dessa consegue ouvir enquanto fala, lidando com interrupções, risadas e mudanças de tom. A empresa diz ter treinado o sistema do zero em um único computador Nvidia GB200 NVL72. Por ora, trata-se de uma prévia de pesquisa, não de um produto aberto ao público. A Block não divulgou tamanho do modelo, benchmarks nem data de lançamento; o acesso antecipado vai primeiro a um pequeno grupo de pesquisadores de segurança em IA.

Nas redes, o áudio impressionou. O usuário Alexander Hoff disse nunca ter ouvido nada artificial “tão… humano”, e Hesamation classificou o resultado como “ficção científica pura”. Changpeng “CZ” Zhao, fundador da Binance, apontou uso potencial na educação infantil via o projeto GiggleAcademy, ao notar que ensinar crianças com as vozes de IA atuais era um desafio.

O mesmo realismo gerou desconfiança. A cineasta Justine Bateman questionou por que vozes de IA precisam soar humanas, argumentando que isso pode induzir as pessoas a baixar a guarda. O jornalista Shiv Aroor alertou que ligações de golpe podem atingir “nível de pandemia”. A CoinDesk lembra que a Block opera Square, Cash App, a carteira de bitcoin Bitkey e a unidade de mineração Proto; o laboratório de IA reporta diretamente a Dorsey e inclui ex-funcionários da startup canadense Dessa, adquirida pela Square em 2020.

O que isso pode mudar

Se a qualidade mostrada nas demos se confirmar fora do ambiente controlado da empresa — o que ainda depende de testes independentes —, a barreira entre voz sintética e humana tende a ficar mais difícil de perceber no telefone e em apps de mensagem. Nesse cenário, golpes por voz poderiam ganhar credibilidade, exatamente o risco levantado por críticos citados na cobertura.

Ao mesmo tempo, a hipótese otimista, espelhada no comentário de CZ, é de interfaces conversacionais mais naturais para aprendizado, sobretudo com crianças. A própria Block sugere que IA baseada em fala pode, no futuro, captar sinais emocionais — como aflição e dor — que transcrições de texto deixam escapar, enquanto pesquisadores externos avaliam riscos que a companhia possa ter deixado de lado.

O ponto central, por enquanto, é a assimetria de informação: há áudio impressionante e promessa de execução local, mas sem métricas públicas nem calendário. Enquanto a prévia circular entre especialistas em segurança, o mercado e o público devem acompanhar se o “efeito pessoa” da Dessa vira ferramenta útil — ou combustível para uma nova onda de enganos por voz.

Fontes: CoinDesk

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