HIX Capital evita varejo na B3 e mira triplicar capital até 2030

Gestora de Rodrigo Heilberg deixa de lado ações de consumo na bolsa e concentra cerca de 10% da carteira em BTG, XP e Nubank, mirando multiplicar o capital até 2030.
Ilustração: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
A deterioração do ambiente de crédito e o avanço do endividamento das famílias levaram a gestora HIX Capital a evitar, na B3, ações ligadas ao varejo e ao consumo doméstico. A estratégia, apresentada no programa Stock Pickers, conduzido por Lucas Collazo, prioriza companhias com previsibilidade de receita e potencial de multiplicar o capital investido nos próximos anos, num cenário em que a renda da população aparece comprometida.
O fundador e gestor Rodrigo Heilberg sustentou que a busca por retornos expressivos até 2030 passa por fugir de empresas cíclicas e concentrar-se em nomes capazes de expandir resultados independentemente da atividade econômica local. A tese foi descrita em matéria publicada pelo InfoMoney em 25 de outubro de 2026.
Segundo o relato da gestora, a falta de margem no orçamento dos brasileiros reforça a preferência por empresas do mercado financeiro em detrimento do varejo tradicional.
O que aconteceu
Heilberg afirmou que a gestora procura histórias de investimento em que o olhar se desloca do lucro de 2027 para o de 2028 e 2029, e em que a compra ocorre a cerca de cinco vezes o lucro projetado para 2030, com a expectativa de multiplicar o capital por três até aquela data. A cautela com o varejo tradicional, conforme o gestor, se apoia no impacto do endividamento sobre os consumidores: a alavancagem excessiva, disse ele, afeta a capacidade de compra até de trabalhadores de maior renda.
Como exemplo, Heilberg relatou conversa recente com executivos da Cury em que um deles teria dito que um terço dos próprios executivos da companhia não tinha renda disponível para comprar um apartamento, por estarem “tomados até o talo” no consignado privado. “Estamos vendo o ambiente de crédito piorando, na margem vem piorando faz algum tempo”, afirmou o gestor.
Para mirar valorização sem depender da recuperação do consumo interno, a HIX destina cerca de 10% da carteira a nomes do mercado de capitais, com destaque para o BTG Pactual (BPAC11) e a XP. Segundo Heilberg, a migração de investidores para produtos mais rentáveis e a retomada de operações financeiras sustentam a expansão dos lucros dessas companhias. Ele citou a saída de produtos de margem muito baixa, como a Letra de Crédito Imobiliário (LCI), em direção a fundos ou à negociação direta de renda variável, e a preferência por plataformas com maior amplitude de produtos em detrimento do banco tradicional, onde o cliente estaria mais acostumado ao Certificado de Depósito Bancário (CDB).
Além das plataformas financeiras, a carteira mantém posição nas ações do Nubank (ROXO34). A instituição é avaliada pelo gestor como a mais rentável do setor no país, combinando potencial de expansão internacional no México e nos Estados Unidos com múltiplos considerados atrativos em relação ao lucro futuro.
Impacto na prática
Se a leitura de crédito e endividamento descrita pela gestora se confirmar, famílias com renda comprometida podem enfrentar menos espaço para consumo discricionário, o que, em tese, pressiona resultados de companhias mais expostas ao varejo doméstico. Em hipótese, a realocação de investidores para produtos de maior margem e para plataformas digitais pode reforçar a disputa entre bancos tradicionais e intermediários do mercado de capitais, sem garantir, por si só, o triplo de capital até 2030 projetado na tese de Heilberg.
No plano internacional, a aposta no Nubank citada pelo gestor sugere que parte do retorno esperado depende de expansão no México e nos Estados Unidos. Caso essa frente avance de forma desigual, o desempenho da tese pode divergir do cenário doméstico brasileiro, segundo a própria lógica apresentada no Stock Pickers.
A fuga de papéis cíclicos de consumo e a concentração em nomes financeiros, conforme o InfoMoney, ilustram uma aposta de longo prazo da HIX Capital. Se o ambiente de crédito continuar a piorar na margem, como relatou Heilberg, a preferência por receita mais previsível pode seguir guiando gestoras semelhantes, sem que isso elimine o risco de falha das projeções de lucro até 2030.
Fontes: InfoMoney
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