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Licença parental paga não gera custo extra para maioria das empresas, diz pesquisa

Licença parental paga não gera custo extra para maioria das empresas, diz pesquisa

Pesquisa em quatro estados dos EUA aponta que 55% das empresas não tiveram custo extra com licença parental paga.

Foto: Gustavo Fring (Pexels)

Empresas dos Estados Unidos podem estar superestimando os prejuízos de oferecer licença parental paga e subestimando o custo de perder funcionários ao não oferecer o benefício. Essa é a leitura da economista Emily Oster em um novo relatório baseado em pesquisa feita com o grupo de advocacy Healthy Moms, Healthy Babies America.

Em quatro estados sem programas públicos de licença — Arkansas, Illinois, Mississippi e Nebraska — 55% dos empregadores disseram não ter tido custos adicionais ao oferecer a medida. A reportagem do Semafor, publicada nesta quinta-feira (22), resume os achados e o debate sobre retenção de talentos.

O que aconteceu

Segundo o levantamento, em 77% dos casos os empregadores afirmaram que a equipe já existente absorveu o trabalho do novo pai ou da nova mãe durante o afastamento. Entre os respondentes com experiência em oferecer licença parental, a parcela que avaliou que os benefícios superam os custos foi o dobro da que discordou dessa avaliação: 47% contra 23%.

Parte dos empregadores citou a retenção de trabalhadores como motivo para manter o benefício. “Esses dados sugerem que a medida é bem mais administrável para as empresas do que muita gente teme”, disse Oster, também CEO da ParentData, plataforma de orientação baseada em dados sobre gravidez e parentalidade.

O quadro, porém, não é uniforme. Ainda assim, 17% dos empregadores que ofereceram licença afirmaram que a política gerou “pressão financeira significativa”. O estudo não especificou a duração da licença paga nem analisou se houve efeitos adversos de retenção sobre outros funcionários da mesma empresa — lacunas relevantes para quem avalia o custo real da política.

Oster sugeriu que os estados considerem créditos tributários para incentivar as empresas a oferecer licença parental e que ampliem a divulgação dos resultados da pesquisa, sobretudo entre pequenos negócios. O impulso da Healthy Moms, Healthy Babies à pesquisa sobre licença paga integra uma campanha de US$ 100 milhões em cinco anos para avançar pesquisas e políticas capazes de reduzir pela metade a taxa de mortalidade materna nos Estados Unidos, segundo Robin Reck, diretora-executiva do grupo.

O relatório entra em um terreno sensível da economia do trabalho americana: a ausência de um programa federal universal de licença parental paga deixa a oferta concentrada em decisões privadas e em regras estaduais. Ao olhar estados sem rede pública de apoio, a pesquisa busca capturar o impacto direto sobre o caixa e a rotina das empresas.

O que isso pode mudar

Se os números se confirmarem em estudos mais amplos, governos estaduais poderão usar a evidência para justificar créditos fiscais e campanhas de conscientização voltadas a pequenas e médias empresas, segmento em que o receio de custo costuma ser maior. A hipótese é que maior visibilidade dos resultados reduza a resistência política e operacional à adoção voluntária do benefício.

Para o mercado de trabalho, a mensagem pode reforçar a tese de que retenção e continuidade operacional pesam mais do que o custo bruto da licença — ao menos na maioria dos casos observados. Ainda assim, o fato de quase um em cada cinco empregadores relatar pressão financeira significativa sugere que qualquer expansão da política tenderia a exigir desenho cuidadoso, com atenção a porte da empresa e duração do afastamento.

No plano da saúde pública, a campanha da Healthy Moms, Healthy Babies amarra a licença parental a um objetivo mais amplo: cortar pela metade a mortalidade materna americana. Se a narrativa de “custo administrável” ganhar tração, o tema pode sair do nicho de benefícios corporativos e entrar com mais força no debate de políticas estaduais.

Fontes: Semafor

Fontes: Semafor

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