Paquistão fica atrás de Índia, Bangladesh e Nepal no combate à fome

Nikkei Asia mostra o Paquistão atrás de Índia, Bangladesh e Nepal no combate à fome; o GHI 2026 aponta nível sério e liga o atraso a emprego feminino e desnutrição infantil.
Foto: Umer Awan PK (Pexels)
O Paquistão está atrás de vizinhos do sul da Ásia — inclusive Índia, Bangladesh e Nepal — na luta contra a fome, segundo reportagem da Nikkei Asia publicada em 22 de outubro de 2026 a partir de Islamabad. Vizinhos como Índia e Bangladesh têm sido mais eficazes em conter a fome extrema, afirma o texto.
Especialistas citados pela Nikkei apontam como fatores centrais as oportunidades limitadas de emprego para mulheres e a desnutrição infantil persistente. A cobertura acompanha o retrato do Índice Global da Fome (Global Hunger Index, GHI) de 2026, em que pontuações mais baixas indicam menos fome.
O que aconteceu
Na edição de 2026 do Índice Global da Fome — relatório anual de Concern Worldwide, Welthungerhilfe e do Instituto de Direito Internacional da Paz e dos Conflitos Armados (IFHV) — o Paquistão aparece na 106ª posição entre 122 países com dados suficientes, com pontuação de 25,5, classificada como nível “sério” de fome. Na Ásia do Sul, fica atrás da Índia (24,1), de Bangladesh (19,2) e do Nepal (14,5). Só o Afeganistão registra marcador pior na região, com 28,6.
O índice combina quatro indicadores: subnutrição na população, baixa estatura infantil para a idade (stunting), baixo peso para a altura (wasting) e mortalidade de crianças menores de cinco anos. No Paquistão, cerca de 16,1% da população está subnutrida; 33,6% das crianças menores de cinco anos têm baixa estatura; 9,8% apresentam wasting; e 5,6% morrem antes dos cinco anos. A média regional da Ásia do Sul fica em 23,5, acima da média mundial de 18,1.
Em perspectiva de longo prazo, a pontuação paquistanesa caiu de 36,2 em 2000 para 25,5 em 2026 — melhora substancial desde o patamar “alarmante”. Porém, entre 2018 e 2026 o marcador piorou, de 24,0 para 25,5. Paquistão e Afeganistão são os únicos países da Ásia do Sul em que o GHI se deteriorou nesse intervalo, enquanto a Índia avançou de 25,8 para 24,1.
O relatório associa o quadro recente a choques sobrepostos: monções fortes e enchentes relâmpago em 2025 afetaram mais de 6 milhões de pessoas, com perdas de lavouras e infraestrutura; a instabilidade econômica e os efeitos da inflação alimentar corroeram o poder de compra das famílias. A Nikkei ilustra o drama com imagens de agosto de 2025: moradores que fugiam de áreas inundadas recebem doações de comida em aldeia no Punjab. Especialistas conectam o atraso relativo à baixa inserção feminina no mercado de trabalho — que restringe a renda familiar e o acesso a dietas adequadas — e à desnutrição infantil que ainda marca o perfil demográfico.
O que isso pode mudar
Se Islamabad não conseguir ampliar emprego feminino e frear a desnutrição infantil, o país pode permanecer na faixa “séria” do GHI e continuar atrás de pares regionais que reduziram a fome com mais consistência. Isso poderia pressionar o governo a tratar nutrição materna e infantil e participação econômica das mulheres como eixos de política econômica, e não só de assistência pontual.
Novos extremos climáticos e nova alta de preços dos alimentos poderiam, por outro lado, aprofundar o acesso restrito à comida e elevar a demanda por ajuda humanitária. Já um arranjo mais estável de renda e de proteção nutricional poderia ajudar o Paquistão a recuperar a tendência de queda vista desde 2000 e estreitar o hiato com Índia, Bangladesh e Nepal — cenário que ainda depende de execução política e de choques externos menos severos.
Fontes: Nikkei Asia; Global Hunger Index — Paquistão
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