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Protestos na França elevam custo da dívida e testam orçamento sob Moody's

Protestos na França elevam custo da dívida e testam orçamento sob Moody's

Com novas manifestações no sábado, o rendimento dos títulos franceses de dez anos bateu o pico desde 2002 e a Moody's manteve Aa3 com perspectiva negativa.

Ilustração: Sora Shimazaki (Pexels)

A inquietação nas ruas da França voltou ao radar dos investidores neste sábado, 24 de outubro de 2026, depois que o custo de financiamento do governo atingiu, no início da semana, o patamar mais alto desde 2002. Novas manifestações estavam previstas para o dia, enquanto o presidente Emmanuel Macron prometeu evitar a repetição da violência do fim de semana anterior.

O quadro mistura pressão sobre as finanças públicas, perspectiva de crescimento mais fraca e a dificuldade de aprovar um orçamento que reduza o déficit. A agência de classificação de risco Moody's manteve na sexta-feira a nota soberana Aa3, ainda vista como de alto grau, mas reiterou a perspectiva negativa.

O que aconteceu

Segundo a CNBC, a agitação alimenta preocupações fiscais e de crescimento de longo prazo. Gestores avaliam se uma interrupção prolongada pode enfraquecer a atividade, corroer a confiança e tornar mais difícil entregar as economias orçamentárias planejadas.

A Moody's afirmou que a perspectiva negativa reflete o risco maior de que a fragmentação política continue a prejudicar as instituições legislativas. A agência indicou que poderia devolver a perspectiva a estável caso as instituições consigam estreitar o déficit.

O governo mira reduzir o déficit para 5% do produto interno bruto (PIB) em 2027, ante projeção de 5,4% em 2026. A Assembleia Nacional deve retomar, em 27 de outubro, o debate sobre medidas tributárias do orçamento, com resistência da oposição. Alain Durré, da Natixis CIB, disse que o Executivo está determinado a evitar uma alta acentuada do custo de endividamento e poderia recorrer ao artigo 49.3 — que permite aprovar um projeto sem votação final, salvo moção de censura — ou a ordenanças executivas.

O rendimento dos títulos soberanos franceses de dez anos, os OATs, subiu 11 pontos-base na quinta-feira, ao nível mais alto desde 2002. O diferencial frente aos Bunds alemães atingiu a maior amplitude desde novembro de 2011. Charlotte de Montpellier, do ING, afirmou que a agitação acrescenta outra camada de incerteza às preocupações orçamentárias e políticas que já pesam sobre ativos franceses.

Há atos previstos para 24 de outubro e um dia nacional de greves apoiado por sindicatos para 5 de novembro. O índice CAC 40 caiu 4,5% no último mês. O ING apontou varejo, hotelaria e turismo, além de transporte e logística, como os setores mais expostos. As ações do Carrefour despencaram mais de 14% na quarta-feira, após o grupo cortar a perspectiva de lucro e citar a agitação e a alta dos custos de energia. Mais de 2 mil empresas já tinham sido afetadas diretamente até terça-feira, segundo estimativas das câmaras de comércio citadas pelo ING.

O que isso pode mudar

Se a inquietação se prolongar, o impacto pode ir além do curto prazo. De Montpellier havia projetado crescimento do PIB francês de apenas 0,3% em 2026 e 0,6% em 2027; caso a confiança se deteriore ou as tensões de mercado se intensifiquem, a expansão poderia ficar ainda mais fraca. Estimativas históricas citadas pela economista sugerem que os Coletes Amarelos podem ter reduzido o crescimento no quarto trimestre de 2018 em 0,1 ponto percentual, e que protestos previdenciários em 2023 teriam cortado cerca de 0,1 ponto no primeiro trimestre, segundo o Banco da França.

Durré vê o risco de que a interrupção prolongada puxe o PIB para baixo e o temor de que a pressão política descarrile cortes de gastos críticos, ampliando o déficit e furando a meta de 5% do PIB. Matthew Ryan, da Ebury, disse permanecer incerto se o orçamento de 2027 passará no Parlamento e que, mesmo aprovado, tende a sair tão marcado por concessões que o déficit ficaria insuficientemente tratado. Kevin Thozet, da Carmignac, avalia que a incerteza prolongada não ajuda os bancos e pode frear o crédito; na LVMH, a França responde por cerca de 8% da receita de 2025, mas turismo e compras isentas de imposto — cerca de 20% da receita local — poderiam sofrer.

Fontes: CNBC Top News

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