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Mais de um terço dos correios em lojas TG Jones fecham até início de 2027

Mais de um terço dos correios em lojas TG Jones fecham até início de 2027

Análise do Guardian aponta 70 agências afetadas em 110 lojas da antiga WH Smith; Modella deve fechar até 150 unidades e cidades temem “desertos postais”.

Ilustração: Guilherme Gonçalves Jaques (Pexels)

Mais de um terço das agências dos correios britânicos instaladas na rede TG Jones devem fechar até o início de 2027, segundo registros da Post Office analisados pelo The Guardian. A onda reforça o temor de que centros urbanos e cidades menores virem “desertos postais”.

A cadeia, antiga WH Smith e comprada no ano passado pela firma de private equity (capital privado) Modella, já registrou 36 fechamentos neste ano e prevê outros 34 até o começo de 2027. Em paralelo, até 150 das 450 lojas adquiridas pela Modella podem deixar de operar.

O que aconteceu

Antes da reestruturação da Modella obter aprovação dos credores em julho, a TG Jones operava 180 agências postais. Havia temor de que até 60 pudessem fechar; o saldo anunciado superou essa expectativa. Das 110 lojas com encerramento confirmado, 70 abrigavam ou ainda abrigam correios. Cerca de 65 unidades da rede já fecharam e ao menos outras 46 devem cessar as atividades no início do próximo ano.

A onda coincide com outro recuo no varejo de proximidade. No verão, a Morrisons anunciou o fechamento de 52 agências em lojas Morrisons Daily neste ano, parte de um plano mais amplo para encerrar 100 pequenas unidades deficitárias. Em alguns casos, os pontos ficam perto de unidades da TG Jones, o que concentra perdas em poucos quilômetros.

Cidades e bairros como Stevenage, em Hertfordshire; Bracknell, em Berkshire; Orpington, na Grande Londres; além de Hull e York, perdem duas agências em poucos meses. Em Telford, a última unidade deve fechar em janeiro. Regiões como Essex, West Midlands, País de Gales, Suffolk e Hertfordshire concentram o impacto: seis agências em lojas TG Jones vão embora só em Essex, com Clacton-on-Sea e Brentwood no calendário de janeiro, depois de Basildon, Southend-on-Sea, Harlow e East Ham.

Muitos desses pontos substituíram as antigas crown post offices, a rede de grandes agências operadas diretamente pelo Estado, quase toda desativada, que oferecia serviços amplos como verificação de identidade e passaporte, carteira de motorista e operações bancárias. A Post Office busca novos operadores: até agora só Stirling reabriu após um fechamento da TG Jones, e uma substituição permanente em Ipswich está prevista para novembro. Em Maidenhead e Uxbridge devem funcionar unidades temporárias.

Em depoimento a uma investigação parlamentar sobre a revitalização das high streets, a própria Post Office lembrou que quase um terço das pequenas e médias empresas usa a agência local ao menos uma vez por semana e mais da metade, ao menos uma vez por mês. Após o fechamento de mais de 6.800 agências bancárias no Reino Unido, a estatal argumenta que desempenha papel crítico na manutenção desse serviço e já opera 250 hubs bancários no país.

Mole Meade, dirigente do sindicato CWU, afirmou que os fechamentos deixariam algumas áreas como “desertos postais” e criticou uma estratégia de corte de custos com pouca atenção às comunidades. A Post Office, ainda marcada pelo escândalo do sistema Horizon, disse reconhecer as condições difíceis do varejo, que há interesse em assumir cada localização confirmada e que está empenhada em substituir todas as agências afetadas. A TG Jones foi procurada para comentar. As lojas de viagem da WH Smith, em estações, hospitais e aeroportos, ficaram fora do negócio com a Modella.

O que isso pode mudar

Se a reposição de operadores atrasar ou falhar em cidades com perda dupla, o acesso a serviços básicos — bancários, documentais e de remessas — pode se concentrar em menos pontos, com filas maiores e deslocamentos mais longos. Pequenos negócios que dependem da agência semanalmente podem sentir pressão de caixa e logística em poucos meses, segundo o próprio diagnóstico da Post Office perante o Parlamento.

No varejo de rua, a combinação entre a reestruturação da Modella e o enxugamento da Morrisons tende a esvaziar trechos já frágeis do comércio de proximidade, sobretudo onde a agência postal era âncora de fluxo. A promessa de substuições e o interesse declarado de postmasters podem mitigar o choque, mas o ritmo até agora — uma reabertura plena em Stirling e poucas soluções temporárias — sugere que o vazio pode durar o suficiente para alterar hábitos de consumo e a viabilidade de lojas vizinhas.

Fontes: Guardian Business

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