SkyeChip da Malásia entra em projeto SoftBank de memória para IA no Japão

SkyeChip da Malásia entra em projeto SoftBank de memória para IA no Japão

Designer malaia de chips integra esforço japonês apoiado pela SoftBank para memória de nova geração voltada à inteligência artificial, com envolvimento da Intel.

Foto: Nic Wood (Pexels)

A projetista malaia de chips SkyeChip entrou em um esforço apoiado pela SoftBank para desenvolver memória de nova geração voltada à inteligência artificial (IA), segundo a Nikkei Asia. A companhia ganha papel em um projeto de semicondutores no Japão que também envolve a Intel.

A reportagem, datada de 22 de outubro de 2026, descreve o movimento como avanço da SkyeChip em tecnologia avançada, enquanto a empresa amplia sua presença além dos Estados Unidos e da China. O anúncio chega em meio à disputa global por componentes capazes de sustentar o treinamento e a inferência de modelos de IA em larga escala.

O que aconteceu

Com sede na Malásia, a SkyeChip é uma designer de semicondutores cujo fundador e CEO, Fong Swee Kiang, aparece na cobertura da Nikkei Asia em entrevista em Penang. De acordo com a reportagem, a companhia passou a integrar uma iniciativa japonesa de memória para IA respaldada pela SoftBank, grupo japonês de investimentos e tecnologia.

Fontes alinhadas ao mesmo anúncio corporativo indicam que a parceria se dá com a SAIMEMORY Corp., subsidiária sediada em Tóquio da SoftBank Corp. A SAIMEMORY desenvolve a tecnologia Z-Angle Memory (ZAM), pensada para data centers e outros ambientes que exigem treinamento e inferência de modelos grandes de IA. A proposta técnica busca maior capacidade e largura de banda de dados, melhor desempenho de processamento e menor consumo de energia.

Nesse arranjo, a SkyeChip deve oferecer suporte de design e engenharia, além de soluções customizadas de propriedade intelectual (IP) de silício, aproveitando sua experiência em projeto e integração de chips. As empresas apresentam o engajamento como passo para aprofundar a relação e construir uma parceria de longo prazo com vista à futura comercialização da ZAM.

O programa ZAM está vinculado a um projeto de pesquisa e desenvolvimento subsidiado pela New Energy and Industrial Technology Development Organisation (NEDO), órgão japonês de energia e tecnologia industrial. Na Nikkei Asia, o envolvimento da Intel no projeto japonês de semicondutores reforça o caráter estratégico da iniciativa para a cadeia asiática de chips.

Fong Swee Kiang afirmou que a computação em IA hoje esbarra no chamado “memory wall” — o gargalo entre processadores e memória — e que a tecnologia de interface de memória da SkyeChip busca atravessar essa barreira. Hideya Yamaguchi, presidente e CEO da SAIMEMORY, destacou que a expertise técnica da malaia deve desempenhar papel importante na realização da ZAM e na criação de um novo mercado de memória de nova geração.

O que isso pode mudar

Se a colaboração avançar até a comercialização, a SkyeChip pode ampliar sua inserção em programas avançados de memória para IA e reduzir a dependência de mercados como Estados Unidos e China, apostando no ecossistema japonês de semicondutores. O arranjo também pode reforçar a posição da SoftBank e da SAIMEMORY na corrida por memórias mais densas e eficientes energeticamente, um ponto crítico para data centers.

Ainda assim, o caminho até produtos em escala comercial permanece incerto: o anúncio cobre engajamento de design e engenharia, não um cronograma firmado de lançamento. O sucesso dependeria de resultados técnicos, continuidade do apoio via NEDO e demanda real dos operadores de infraestrutura de IA. Em hipótese, um avanço da ZAM com participação malaia e envolvimento de nomes como SoftBank e Intel poderia redistribuir parte da cadeia de valor da memória avançada na Ásia — mas isso ainda é perspectiva, não fato consumado.

Fontes: Nikkei Asia

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