Uganda celebra 30 anos do mercado de capitais e mira liquidez e mais IPOs

Vice-governador do Banco de Uganda marca aniversário da CMA e aponta liquidez, listagens e confiança como próximos saltos.
Foto: Ana Kenk (Pexels)
O vice-governador do Banco de Uganda, professor Augustus Nuwagaba, celebrou em Kampala os 30 anos da Capital Markets Authority (CMA), o regulador do mercado de capitais do país, e pediu liquidez, mais ofertas públicas e poupança de longo prazo para financiar o crescimento.
O discurso foi proferido em 25 de setembro de 2026, no jantar de premiação do 30º aniversário da CMA, e publicado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), que reúne bancos centrais e divulga seleções de discursos oficiais.
O que aconteceu
Nuwagaba lembrou que a CMA nasceu em 1996 e, no início, ocupava o porão do prédio do banco central. A Bolsa de Valores de Uganda foi licenciada em 1997; o primeiro produto foi um título do Banco de Desenvolvimento da África Oriental e, em março de 2000, a Uganda Clays fez a primeira oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), marcada até com feriado público.
Depois vieram listagens como British American Tobacco Uganda, Bank of Baroda, Stanbic, DFCU, Umeme e New Vision. Em 2021, a oferta da MTN Uganda foi a maior da história do país, seguida pela Airtel Uganda em 2023. O mercado saiu de duas mesas no porão para capitalização doméstica de mais de 15 trilhões de xelins ugandenses, esquemas de investimento coletivo com mais de 5,6 trilhões, quase 6 trilhões em fundos segregados, mais de 220 mil contas de fundos de investimento (unit trusts) e mais de 235 mil investidores no depósito central. Em 2025, a capitalização cresceu mais de 25%.
Ele homenageou Japheth Katto, primeiro diretor-executivo, que criou o regime de fundos coletivos em 2003 e levou educação financeira às escolas; Keith Kalyegira, que superou meta de capitalização com as listagens da MTN, Airtel e Cipla; e Josephine Okui Ossiya, atual CEO, com metas de um milhão de contas de unit trusts em cinco anos, ativos acima de 12 trilhões de xelins, o primeiro Sukuk soberano (títulos alinhados à finança islâmica) e instrumentos como REIT (fundo de investimento imobiliário), título de infraestrutura e título verde.
No plano regional, contrastou os cerca de 220 mil investidores em unit trusts em Uganda com mais de 3,6 milhões no Quênia. Citou o relançamento da bolsa da Etiópia em janeiro de 2025, a bolsa da Somália e a integração de Uganda, Ruanda e Tanzânia na plataforma regional de infraestrutura de mercados, além do índice East Africa Exchanges 20 Share Index. Alertou que em 2025 nenhuma das principais bolsas da região registrou IPO e que empresas preferem capital privado para evitar exigências de listagem.
Quatro desafios foram destacados: liquidez acionária fraca; economia de cerca de 63 bilhões de dólares com poucas empresas listadas; domínio dos títulos públicos, que encarecem o financiamento privado; e baixa confiança, com poupança informal e esquemas fraudulentos. Como resposta, pediu estabilidade macroeconômica ao banco central; pipeline de ativos do governo e das empresas; capital paciente dos fundos de pensão; liquidez e inovação da indústria, com sandbox regulatório; e integração do mercado da África Oriental.
O que isso pode mudar
Se as metas da CMA avançarem e a região aprofundar regras e infraestrutura comuns, Uganda poderia atrair mais poupança doméstica e financiamento de longo prazo para empresas e infraestrutura, em linha com a ambição citada de uma economia de 500 bilhões de dólares até 2040. O próprio discurso trata o resultado como condicional: sem liquidez, listagens e confiança, o mercado pode continuar pequeno diante do vizinho queniano e das alternativas privadas.
A mensagem do banco central também pode reforçar pressão por Sukuk soberano, títulos verdes e REITs, e por maior participação de estatais e negócios familiares na bolsa. O ritmo, contudo, dependeria da estabilidade de preços e câmbio, da reforma previdenciária e da capacidade de levar unit trusts a investidores de varejo por celular — tarefas compartilhadas, não garantia.
Fontes: BIS Speeches — Celebrating 30 years of capital markets development in Uganda
Fontes: BIS Speeches
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